História do povo evangélico luterano


ID: 2927

Assembleia Legislativa realiza sessão Solene em homenagem à Comunidade Luterana do Redentor - Curitiba

30/05/2016

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Comunidade do Redentor
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Na noite do dia 30 de maio, em sessão solene da Assembleia Legislativa do estado do Paraná, a Comunidade Luterana do Redentor foi homenageada pelos seus 150 anos de história. Na oportunidade o P. Marcos Antonio da Silva proferiu um discurso resgatando momentos marcantes desta história.

Ocupando a tribuna da Assembleia Legislativa, o P. Marcos proferiu as seguintes palavras:
“Um povo sem memória é um povo sem história.

Contar histórias faz parte da tradição cristã. Há séculos contamos as mesmas histórias. Historia de um povo, de pessoas, de Jesus, dos apóstolos e das primeiras comunidades cristãs. E tentamos reatualiza-las para compreender os princípios eternos de Deus.

Por isso, também contamos a história da Comunidade do Redentor. Não para viver no passado ou para congela-la em nosso tempo para nós conformar e dizer: bons tempos eram aqueles, mas para honrar e agradecer a Deus pela Sua fidelidade e aprender com os nossos antepassados para não repetir alguns erros e permanecer naquilo que edifica e continua válido para todas as gerações.

O povo brasileiro é conhecido como um povo de memória curta, por isso talvez mantemos alguns padrões do passado que nos impedem de ser uma nação mais avançada e justa.

Assim, conto uma parte da história da Comunidade do Redentor, ciente de que não estamos mais presos a ela, mas aprendemos com ela para ser uma igreja relevante em nossos dias.

Em 1850, a pequena cidade de Curitiba, fundada em 1693, contava com cerca de 20.000 habitantes. Em sua volta viviam algumas tribos de índios. A partir desta década, Curitiba começou a mudar. Com a emancipação do Paraná da província de São Paulo em 1853, veio se tornar a capital do novo estado. Nesta período, começaram a chegar os imigrantes, poloneses, italianos e alemães.

Os primeiros alemães que se estabeleceram em nossa cidade, eram provenientes da Colônia Dona Francisca hoje a conhecida e a maior cidade de Santa Catarina, Joinville. Na cidade, esses alemães se fixaram principalmente em torno do Largo da Ordem. Aos poucos as ruas entre a Presidente Carlos Cavalcanti e o Parque São Lourenço passaram a ser ocupadas por alemães, que eram desde agricultores até artesãos, ferreiros, alfaiates, padeiros, relojoeiros e comerciantes. Era possível ao redor do largo da ordem ouvir diversos idiomas estrangeiros: polonês, alemão e italiano, além do português.

Os imigrantes alemães, em sua maioria luteranos, reuniam-se inicialmente nas casas das famílias, para celebrar seus cultos. Nesta época, havia ausência de pastores entre eles. O pai de família era o responsável pelo culto doméstico, ele lia a Bíblia, os livros devocionários, catecismos e todos cantavam os hinos conhecidos do hinário.

No dia 20.08.1857 faleceu o Sr. August Friedrich Prohmann. E o que fazer? Como luterano, ele não podia ser sepultado no Cemitério Municipal, porque a Igreja Católica que era a igreja oficial do império não permitia que os protestantes fossem enterrados no mesmo lugar que os católicos.

Às pressas, a prefeitura de Curitiba emitiu uma autorização que permitiu sepultar o Sr Prohmann, longe da cidade, junto ao Caminho da Graciosa no chamado Alto da Glória. Este lugar, por decisão da Câmara de Vereadores, veio a se tornar o Cemitério Luterano. Para os protestantes daquela época era muito difícil serem reconhecidos como cidadãos com direitos iguais, eles eram vistos pela maioria da população como hereges.

Em 1860, um pastor de Joinville, Johann Friedrich Gärtener, vinha uma vez por mês, atender os luteranos de Curitiba. Essa viagem entre Joinville e Curitiba feita a cavalo levava dois dias. Nesta época em torno de 20 famílias se reuniam em culto com o P. Gärtener Este atendimento esporádico perdurou até 1866, quando a Comunidade já tinha em torno de 50 famílias.

Uma casa era alugada no Alto São Francisco que servia de templo para as atividades religiosas.
No dia 02.12.1866, primeiro domingo de Advento, era formalmente fundada a primeira Comunidade Luterana de Curitiba, que teve o seu primeiro pastor, agora estabelecido nesta cidade.

O P. Gärtener além de acompanhar espiritualmente a recém fundada comunidade luterana, ele também criou a primeira escola da Comunidade. Concretizando um dos ideais da Reforma Protestante: Ao lado de cada igreja uma escola. Essa escola tornou-se interconfessional por conta do pouco número de crianças luteranas.

Isso não agradou a muitos membros da comunidade, que queriam que a escola fosse só para alemães luteranos. Houve um conflito interno e a comunidade separou-se em dois grupos. Há um provérbio alemão que diz: onde se juntam dois alemães, são formadas 03 associações.

Um grupo que apoiava o P. Gärtener e sua escola interconfessional e o outro grupo que veio ser atendido por um pastor proveniente do Sinodo do Rio Grande do Sul, P. Kröhne. Logo em seguida o P. Gärtener veio a falecer e o P. Kröhne regressou à Alemanha.

Veio o P. Dr. Hermann Borchard da Alemanha, que uniu os dois grupos novamente. Ele ficou apenas 02 anos, mas conseguiu colocar a jovem comunidade luterana num caminho saudável de unidade.

Em 1872, foi substituído pelo P. Wilhelm August Böcker, vindo também da Alemanha. Ele tomou a iniciativa e começou a construir uma igreja integrada com a escola. Está construcao em estilo enxaimel, típica da Alemanha, usou um produto barato e abundande na época que era Madeira. Essa construção foi colocada no terreno onde hoje existe o templo da Comunidade do Redentor e o Colégio Martinus, na rua Trajano Reis, antes conhecida como Rua América. Em 1873, o novo templo que durante a semana funcionava como escola foi inaugurado e consagrado para o uso da Comunidade luterana.

A escola interconfessional funcionou até 1892 nas dependências da igreja. Nesta época a escola já fazia parte de uma Associação da Escola Alemã. Em Julho daquele ano, foi concluído o prédio da nova escola em terreno cedido pela Câmara Municipal, onde hoje se localiza a Praça 19 de Dezembro. Anos mais tarde essa escola teve um grande crescimento e prestígio na cidade, tornando- se o famoso Colegio Progresso que funcionou até o Estado Novo de Getulio Vargas que decretou o seu fechamento sumário em 1938.

Em 1892 a comunidade decide demolir o templo enxaimel totalmente.Segundo os argumentos da época o templo não oferecia mais segurança por conta do cupim no Madeiramento.

Em 1893, a comunidade começou a construir o atual templo da Redentor, que levou 15 meses e sua inauguração em 1894. O templo em estilo gótico agora com torre e sino, sinalizavá uma nova fase religiosa na comunidade e nova fase política no país, onde instalava-se o Estado Laico com liberdade religiosa.

Em 1948 após a segunda guerra mundial , sob a liderança do P. Hiena Soboll, a comunidade decide investir novamente em uma nova escola, que tem feito história na vida de muitas famílias curitibanas, o Colégio Martinus.

Desse grupo embrionário, outras comunidades foram formadas. Hoje a IECLB tem 12 comunidades na cidade de Curitiba e 21 na região metropolitana. Sendo a segunda comunidade mais antiga da cidade a centenária Comunidade de Cristo ou Christuskirche na rua Inácio Lustosa.

Hoje a Comunidade Evangélica de Curitiba - CELC além de congregar fraternalmente as comunidades, ela é mantenedora do Cemitério Luterano, Colegio Martinus, e instituições da FLAS- Fundação Luterana de Ação Social - como a Creche Bom Samaritano e Lar de Idosos Ebenezer, assim como parceira fundadora do Hospital Evangélico.

Ao longo desses anos a vocação da Comunidade do Redentor sempre foi anunciar o Evangelho da salvação mediante a fé em Jesus Cristo. Esse anuncio não é apenas oral, mas tambem em ações missionárias que geram acolhimento e desenvolvimento na formação de pessoas que fazem diferença em suas realidades vivênciais.

Um dos destaques é o nosso projeto social Dorcas em Almirante Tamandaré, que a partir do Evangelho oportuniza transformação de vidas e da realidade social. A Comunidade do Redentor continua investido na família, porque crer que este é o alicerce de uma sociedade mais justa e fraterna. Seus ministérios com os mais diversos grupos de pessoas visam formar pessoas convictas de sua fé em Cristo e cidadãos que vivam a proposta do Reino de Deus em favor do outro.

Queremos ser uma igreja que olha para frente e que continua sendo relevante em nossa cidade. Ser um lugar em que as pessoas sejam conectadas com Jesus Cristo e umas com as outras.

Finalizo com uma palavra de 1Sm 7.12 Até aqui nos trouxe o Senhor e cremos que Ele continuará a Sua obra entre nós.”
 


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Ser batizado em nome de Deus é ser batizado não por homens, mas pelo próprio Deus.
Martim Lutero
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Martim Lutero
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