Pentecostes - Deus vem para transformar o coração das pessoas

03/06/2017

João 20.19-23

Prezada Comunidade,

Hoje é um dia especial. Um dia de festa. É o dia de Pentecostes. E Pentecostes é o dia do nascimento da igreja cristã. Por isso, esse dia de Pentecostes é celebrado em todas as igrejas cristãs do mundo. Pentecostes é o dia em que Deus Pai e Jesus Cristo enviam o Espírito Santo aos seus discípulos(as).
Mas o que faz o Espírito Santo?

Depois da morte de Jesus a Comunidade dos discípulos ainda se sente com muito medo diante da perseguição dos líderes judeus que prenderam e crucificaram a Jesus. Depois da crucificação de Jesus começou uma grande perseguição aos seus seguidores(as). Muitos foram descobertos, presos, castigados e mostos por apedrejamento. Os primeiros perseguidores dos cristãos foram os líderes judeus. Por isso, o mais seguro era nem sair de casa, manter as portas e janelas trancadas, esconder-se por algum tempo até baixar a poeira.

Nesse ambiente de medo e de perseguição, Jesus aparece aos seus discípulos e discípulas. Ele atravessou paredes e portas fechadas para estar na frente de seus discípulos. Sua aparição certamente aumentou ainda mais o medo dos discípulos, mas também foi um tratamento de choque contra o medo deles. As feridas nas mãos e no lado, são a prova concreta que não era outra pessoa, mas sim o mesmo Jesus que havia sido crucificado. Passado o susto, o medo foi transformando-se em paz e alegria.

Jesus então lhes dá uma missão: Anunciar as pessoas que Deus é amor, que ele veio ao mundo no seu Filho Unigênito e que todas as pessoas são iguais diante de Deus e tem acesso a esse Deus de amor perdoa os pecados para que todos tenham vida e vida em abundância.

Mas no mesmo instante em que Jesus desaparece diante dos seus discípulos, voltou a crescer neles o sentimento de medo. O medo é algo natural e muitas vezes até necessário para a preservação da vida. As crianças correm mais risco de se machucar porque não tem medo. Existem estatísticas que mostram que os acidentes de carro são mais comum com os jovens. Eles arriscam mais nas ultrapassagens, por exemplo. Fazem isso porque não tem medo.

Portanto o medo é útil e ajuda na preservação da vida. O medo exagerado, no entanto, não é bom. Por exemplo: É natural ter medo de cobra. Mas tem gente que não entra numa sala onde tem um quadro com uma cobra. Ou quantos de nós saímos correndo da sala toda vez que aparece uma cobra na televisão?

Portanto, os discípulos já tinham visto a Jesus ressuscitado. Jesus se reuniu com eles, comeu com eles, deu-lhes uma missão. Mas o medo deixou aqueles discípulos(as) imobilizados. Diante de Jesus eles se entusiasmavam e faziam promessas de fazer a sua vontade. Mas, apenas Jesus virava as costas, o medo esfriava todo aquele entusiasmo.

A verdade é que o ser humano não consegue servir a Deus sem o empurrão do Espírito Santo. Hoje sabemos que o ser humano tem um imenso potencial para fazer o bem e também para fazer o mal, para o divino e para a barbárie. E a tendência natural no ser humano não é o bem, mas a barbárie. Somos pessoas egoístas por natureza. A solidariedade, o amor ao próximo, o compartilhar é algo que precisamos aprender e ensinar desde menino.

Portanto, em Jesus Cristo Deus anuncia a sua vontade para todas as pessoas. Os discípulos e discípulas de Jesus foram testemunhas em várias ocasiões do grande poder de Deus. Mas, no momento em que Jesus não está fisicamente com eles, o medo os imobiliza e eles se escondem atrás de portas trancadas.

Nessa situação, Jesus precisa encontrar uma maneira de estar presente constantemente com os seus seguidores. É isso que faz o Espírito Santo: dá a confiança aos seguidores de Jesus que o Espírito do próprio Jesus está com eles. Essa certeza da presença de Jesus no meio deles, supera o medo.

Já ouvimos que a missão de Jesus aos seus seguidor@s é que el@s anunciassem as pessoas que Deus é amor, que ele veio ao mundo no seu Filho Unigênito e que todas as pessoas são iguais diante de Deus e tem acesso a esse Deus de amor perdoa os pecados para que todos tenham vida e vida em abundância.
Jesus diz que o ser humano não é um ser perdido nesse mundo, mas ele foi criado a imagem e semelhança de Deus. Que cada pessoa é um ser preciso para Deus, ao ponto de Deus enviar o seu Filho Unigênito a esse mundo, para que toda pessoa que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

E a vida eterna não está em buscar egoisticamente a felicidade pessoal. Ser feliz não é querer sempre se dar bem. Ser feliz é fazer o bem. Ser feliz é fazer algo de bom para outra pessoa ou para a natureza. Quem quer ser feliz precisa amar. Amar a Deus sobre todas as coisas (isso é fazer vontade de Deus) e amar ao próximo como a si mesmo. A apóstolo Paulo resume isso dizendo que a vontade de Deus é que não haja judeu ou grego, escravo nem senhor, homem nem mulher, mas que todas as pessoas sejam irmãos e irmãs.

Essa mensagem de Jesus ganhou o apoio dos mais humildes, que entenderam que o fato de ser rico ou pobre, já não era sinal de benção ou castigo de Deus. A condição social não é sinônimo de benção ou de castigo, mas o que importa agora é o que a pessoa faz nesse mundo.

Mas essa mensagem não foi bem recebida pela classe alta daquele tempo. Ajudar os pobres – tudo bem. Ser bondoso com quem passa fome, tudo bem. Mas isso de ser irmão ou irmã, de escravos, de negros, que as mulheres sejam iguais aos homens, isso não foi bem aceito pela classe privilegiada.

Portanto, Jesus percebe que a sua presença no meio dos seus discípulos(as) não era apenas necessária para que eles vencessem o medo, mas era também necessárias para que eles não se deixassem abater por causa das adversidades e da resistência das pessoas contra a mensagem do Evangelho. Para que a mensagem do amor, da igualdade, da solidariedade encontre aceitação entre as pessoas, é preciso primeiro transformar o coração das pessoas.

O professor Rubem Alves usava o exemplo do milho de pipoca e do piruá. Ele dizia que a função do Espírito Santo era transformar as pessoas para que elas vivessem a vontade de Deus anunciada por Jesus. E que Deus usa diferentes maneiras para transformar as pessoas. Mas grandes transformações na nossa vida acontecem quando passamos pelo fogo. Por isso, o Espírito Santo é representado por línguas de fogo que caem sobre as pessoas. Quem não passa pelo fogo – nunca se transforma, mas fica do mesmo jeito a vida inteira. E há aqueles que mesmo passando pelo fogo, são pessoas de uma dureza assombrosa, tal qual o piruá (o milho de pipoca que mesmo passando pelo fogo não estourou)..

Pentecostes é portanto, a festa da transformação. Deus deseja que sejamos todos iguais, que pratiquemos o amor ao próximo como a si mesmo. Mas para que isso seja possível, é preciso que nos deixemos transformar pelo Espírito de Deus. Ser discípul@ ou - ser igreja de Jesus Cristo - significa deixar-se transformar, significa superar a dureza do próprio coração. Por isso, também Martin Lutero dizia: A igreja de Jesus Cristo deve estar sempre em Reforma e as pessoas cristãs devem se mostrar dispostas a deixar-se transformar pelo Espírito Santo. Essa transformação vai produzir em nós os frutos do Espírito que são o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, o domínio próprio (cf.Gálatas 5.22)

Assim como o Espírito Santo veio sobre os discípulos de Jesus, assim Deus continua ainda hoje presente no meio daquelas pessoas que abrem seus corações e mentes para a mensagem do Evangelho. Quando aceitamos ouvir essa mensagem, Deus mesmo vai superar nossos medos e nossas resistências com o poder do Espírito Santo.

Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus nosso Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam também no meio de nós. Amém.
 


Autor(a): Nilton Giese
Âmbito: IECLB / Sinodo: Sudeste / Paróquia: Belo Horizonte (MG)
Área: Confessionalidade / Nível: Confessionalidade - Prédicas e Meditações
Testamento: Novo / Livro: João / Capitulo: 20 / Versículo Inicial: 19 / Versículo Final: 23
Natureza do Texto: Pregação/meditação
Perfil do Texto: Prédica
ID: 42508
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Romanos 8.39
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